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var quotationArray = new Array ("E se antes se nos tornava evidente que a pintura de Alexandre Cabrita se procurava como espa&ccedil;o de interroga&ccedil;&atilde;o de uma denomina&ccedil;&atilde;o mais alargada da imagem, agora, e atrav&eacute;s deste refor&ccedil;o conceptual, cada uma das suas pinturas parece constituir-se como um &iacute;ndice, como um frame, como um fragmento apenas de um processo mais vasto, e a seu modo mais radicalizado daquilo que poder&iacute;amos designar como uma manifesta&ccedil;&atilde;o extrema de um progressivo devir-imagem da pintura.","Ao basear-se nessas imagens para depois as desconstruir - como t&atilde;o evidentemente se percebe nessas obras cujo t&iacute;tulo nos faz querer evocar Mondriaan - Alexandre Cabrita reinventa as mem&oacute;rias da pintura e faz assim, quase perversamente, explodir o nosso imagin&aacute;rio.","Alexandre Cabrita reinventa as mem&oacute;rias  da pintura e faz assim, quase perversamente, explodir o nosso imagin&aacute;rio. Tal como algu&eacute;m que, insidiosamente, nos levasse a acreditar em falsas mem&oacute;rias induzidas, o artista conduz-nos atrav&eacute;s de falsas pistas at&eacute; um momento de confronto com os pr&oacute;prios abismos desse reconhecimento último e brutal do nosso pr&oacute;prio engano. Como em A dama de Xangai, de Orson Welles, os abismos da n&atilde;o-refer&ecirc;ncia num ilimitado jogo de espelhos...","&Eacute; nisto que a obra de Cabrita </i>[...]<i> faz aqui um desvio (tamb&eacute;m ele conceptual) e se aproxima antes dessa voracidade da imagem que tem estado por detr&aacute;s da obra de um artista como Robert Longo. </i>[...]<i> Alexandre Cabrita, intuitivamente, aborda um processo semelhante ao gerar reflexos de um infinito espelhamento n&atilde;o do real mas do pr&oacute;prio vis&iacute;vel tal como este se constituiu, para n&oacute;s, atrav&eacute;s da mem&oacute;ria da pintura e da mem&oacute;ria do cinema, as duas artes maiores do ocidente.", "Essas imagens funcionam precisamente na medida em que o seu referente se torna cada vez mais long&iacute;nquo, e em que nelas emerge um efeito de reconhecimento (o ind&iacute;cio) que &eacute; quase simult&acirc;neo ao do seu encaminhamento para uma dimens&atilde;o, por isso mesmo, cada vez mais abstracta. Paradoxalmente, elas  tornam-se cada vez mais universais na propor&ccedil;&atilde;o da sua multiplica&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica.");
var textArray = new Array('<p><b>IMAGEM RESGATADA</b></p><p>A tormentosa viagem das artes pl&aacute;sticas durante todo o s&eacute;culo XX, entre fracturas impens&aacute;veis, espalhou os fragmentos de cada desconstru&ccedil;&atilde;o por uma esp&eacute;cie de oficina imagin&aacute;ria onde grupos de criadores, a par de artistas solit&aacute;rios, tratam de realizar a mais complexa aut&oacute;psia de sempre: separar g&eacute;neros e correntes est&eacute;ticas, decapar velaturas e cores, dividir percep&ccedil;&otilde;es e conceitos estabelecidos, f&oacute;rmulas t&eacute;cnicas e composi&ccedil;&otilde;es pesadas. Poderia, apesar disso, pensar-se na imagem como resultado das pesquisas inerentes àquele trabalho revolucion&aacute;rio. Mas n&atilde;o: no caso da pintura, sobrou aquilo a que se chamou a sua ess&ecirc;ncia, a cor. E a cor passou a ordenar tudo, envolvida ou denotando a linha. A imagem do vis&iacute;vel foi perdendo a opacidade ou o brilho do real. O real imposs&iacute;vel, talvez coisas da f&iacute;sica, da qu&iacute;mica, da biologia, mas certamente pouco cr&iacute;veis para a aventura po&eacute;tica que substituiria quase por completo a paisagem da sua geometria.<br>Bernardo Pinto de Almeida, ao escrever sobre a obra representativa de Alexandre Cabrita, intitula a sua reflex&atilde;o com a frase «a desmedida voca&ccedil;&atilde;o da imagem», deixando-nos assim a pensar nesse destino. Ora a imagem refere tudo o que nos envolve, a pr&oacute;pria arte, mesmo a mais minimalista, &eacute; indubitavelmente imagem, representa&ccedil;&atilde;o, express&atilde;o, forma de reconhecer e denotar em v&aacute;rios canais que nos mobilizam no &acirc;mbito de uma complexa teia de informa&ccedil;&atilde;o. &Eacute; nesta faixa de retornos à necessidade de ver com todos os instrumentos, os biol&oacute;gicos e os mec&acirc;nicos, que se situam de novo artistas como Alexandre Cabrita. O que os artistas da representa&ccedil;&atilde;o recuperam da mem&oacute;ria hist&oacute;rica e da sensibilidade est&eacute;tica n&atilde;o se cola, em teimosa imita&ccedil;&atilde;o de meios e apar&ecirc;ncia, aos exemplos ditos da antiguidade cl&aacute;ssica, nem aos realismos mais conservadores. Acontece, afinal, que eles sabem anotar, como se enumerassem, combinados modelos do mundo constru&iacute;do e dados abertos do espect&aacute;culo natural que se situa muito para l&aacute; do cen&aacute;rio urbano, outras paisagens, a Natureza. Muitos destes autores actuais o que procuram, sem m&aacute;cula ou perda de experi&ecirc;ncias decisivas, &eacute; resgatar a imagem,  tentando ent&atilde;o perceber com maior propriedade o sentido da sua desmedida voca&ccedil;&atilde;o perante o vis&iacute;vel, que grandeza a&iacute; reside, que novos caminhos se desenvolvem a partir da&iacute;.<br>Esta cultura a retomar-se, segundo diversos modelos t&eacute;cnicos, vive em parte dos processos medi&aacute;ticos, entre a fotografia e o cinema, embora se dissocie da mera imita&ccedil;&atilde;o. A imagem, em Alexandre Cabrita e depois de resgatada, lembra de facto uma pintura ou a sequ&ecirc;ncia de certo filme, um plano, um corte que recomp&otilde;e cenas ou instantes, frame voraz da pressa do aparecimento. Como refere Bernardo Pinto de Almeida, «o artista conduz-nos atrav&eacute;s de falsas pistas at&eacute; ao momento do confronto com os pr&oacute;prios abismos desse reconhecimento último e brutal do nosso engano.» JL RS</p><p><b>Rocha de Sousa</b></p><p>(Abril de 2010, JL)</p>', '<p><b>ALGUMAS REFLEX&Otilde;ES EM TORNO DO TRABALHO DE ALEXANDRE CABRITA</b></p><p>O trabalho de Alexandre Cabrita configura quest&otilde;es que n&atilde;o s&atilde;o habituais no pequeno mundo das artes portugu&ecirc;s. Entre elas, a da perman&ecirc;ncia da pr&aacute;tica da pintura numa era abertamente p&oacute;s-conceptual  e, evidentemente, a das rela&ccedil;&otilde;es abstrac&ccedil;&atilde;o/figura&ccedil;&atilde;o na acep&ccedil;&atilde;o que estes termos ganharam nesse mesmo contexto.<br>N&atilde;o ser&aacute; injusto referir o quanto o espectro da pintura de um Gerhard Richter assola ainda a deste jovem artista, n&atilde;o tanto para lhe encontrar uma filia&ccedil;&atilde;o directa baseada em simples analogias formais, como antes para o referir a um universo de interroga&ccedil;&otilde;es propriamente pl&aacute;sticas  que tem tamb&eacute;m as suas personagens consagradas. Al&eacute;m de Richter, Jeff Wall, Cuck Close, entre outros, ou at&eacute;, por paradoxal que possa parecer, Sigmar Polke.<br>Lembrando este contexto, poder&iacute;amos por agora referi-lo como o daqueles artistas que, na arte contempor&acirc;nea, ou seja nesse &acirc;mbito vasto que historicamente datamos como posterior ao das chamadas últimas vanguardas, colocaram abertamente nas respectivas obras a quest&atilde;o da imagem da arte. Interrogando pois, no interior do campo art&iacute;stico, o modo como se processa a constru&ccedil;&atilde;o de uma imagem como algo que &eacute; pr&eacute;vio à pr&oacute;pria cria&ccedil;&atilde;o, em vez de entenderem num plano puramente conceptual de anterioridade a origem da cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica.<br>Dito de outro modo, todos aqueles que colocaram a imagem no lugar do conceito, nessa nova situa&ccedil;&atilde;o que a arte p&oacute;s-conceptual abriu de retorno à pintura e à possibilidade de integrar a interroga&ccedil;&atilde;o sobre a imagem no campo da pr&aacute;tica pict&oacute;rica bem como da pr&oacute;pria pr&aacute;tica fotogr&aacute;fica.<br>Em que consiste este modelo de interroga&ccedil;&atilde;o?<br>Respondendo brevemente a uma tal quest&atilde;o poder&iacute;amos dizer que basicamente ele se inscreve na no&ccedil;&atilde;o de que a pintura, a fotografia, o v&iacute;deo ou qualquer outra pr&aacute;tica representativa, antes e depois de o ser, se inscreve num processo de circula&ccedil;&atilde;o de imagens que se haver&atilde;o de medir, de um modo ou de outro, com a circula&ccedil;&atilde;o mais vasta das restantes imagens — ou seja de todas aquelas que n&atilde;o se referem estritamente ao campo art&iacute;stico, como sejam as da publicidade, da TV, do cinema etc. — e que mais tarde ou mais cedo se ver&atilde;o necessariamente inscritas no interior desse mesmo processo. Deixando desse modo no ar uma pergunta que todos n&oacute;s, simples consumidores, tantas vezes nos fazemos, e que se poderia enunciar como segue: o que distingue uma imagem art&iacute;stica de uma outra imagem qualquer? Qual &eacute; a sua especificidade e a sua pertin&ecirc;ncia? Ou at&eacute;, a partir destas: qual &eacute; a necessidade da arte numa sociedade que vive sob o jugo de uma superabund&acirc;ncia de imagens?<br>Foi o pr&oacute;prio Richter quem, colocando-se estas quest&otilde;es, haveria de dizer que pratica a pintura para ressalvar do seu hipot&eacute;tico desaparecimento uma arte com tanta tradi&ccedil;&atilde;o, ironizando um pouco quanto à quest&atilde;o tem&aacute;tica da morte da arte, que havia j&aacute; sido colocada por Hegel nas suas Li&ccedil;&otilde;es de Est&eacute;tica, segundo um modelo de pensamento teleol&oacute;gico que ganhou actualidade e pertin&ecirc;ncia na leitura marxista da hist&oacute;ria...<br><b>Bernardo Pinto de Almeida</b> (Figura no livro “Transi&ccedil;&atilde;o – Ciclopes, Mutantes, Apocal&iacute;pticos”, Ass&iacute;rio & Alvim 2002 ). <a href="resources/texts/transicao.pdf">Descarregar PDF</a>','<p><b>SÓ UM PEQUENO PONTO DE VISTA</b></p><p>S&oacute; mesmo espreitar o passado, uma viagem ao renascimento a ver que est&aacute;s, como Amster│Roter│for│DAM a fazer ANAMORFOSEN…<br>Alexandre, tudo isto &eacute; muito, muito bonito. O Ponto de vista &eacute; danado, &eacute; preciso recuo para ver o que tu v&ecirc;s.<br>Posso tratar-te por tu, artista? Posso confundir a tua frase “after-sherman” com after-shave? Posso achar as tuas meniñas hiper\hyper s&atilde;o realistas plebeias e aristrocr&aacute;ticas anúncios e prenúncios de um s&oacute; p&eacute;?<br>E quem inventou um zeppelin, um hindenberg, um c&eacute;u t&atilde;o ofuscado por falos e nimbos…<br>Gosto dessas damas super-pop: Hoje diria que as amo na intermit&ecirc;ncia de ver n&atilde;o ver que &eacute; a dist&acirc;ncia entre o erotismo e a pornografia.<br>O &oacute;leo…todo eu fui &oacute;leo o creme e o ocre.<br>Espelho deformante escuta-me e diz: H&aacute; anamorfoses mais lindas neste pa&iacute;s?</p><p><b>Rui Reininho</b></p><p>(Dezembro 2000)</p>','<p><b>A DESMEDIDA VOCA&Ccedil;&Atilde;O DA IMAGEM</b><p>H&aacute; qualquer coisa de muito peculiar, sen&atilde;o mesmo de paradoxal, nesta nova exposi&ccedil;&atilde;o de Alexandre Cabrita, “Viagens/Places” de seu t&iacute;tulo, que deveremos ver como um todo, ou seja, como uma forma de quase-instala&ccedil;&atilde;o.<br>De facto, o artista procede a uma esp&eacute;cie de pequena retrospectiva da sua obra - na medida em que nos contempla com v&aacute;rias "fases" do seu trabalho, entre as quais os retratos de recorte cinematogr&aacute;fico, as vistas de interiores, as vistas de cidades, as anamorfoses e mesmo com uma nova s&eacute;rie de lembran&ccedil;a a Mondriaan -, sendo que todos esses trabalhos, presentes neste conjunto, s&atilde;o in&eacute;ditos.<br> Mas Alexandre Cabrita n&atilde;o vem apenas mostrar-nos trabalhos in&eacute;ditos. Mais radicalmente, o artista mostra aqui apenas obras recentes que, no entanto, referem algumas das suas s&eacute;ries anteriores, dando o conjunto da mostra a impress&atilde;o de se constituir como uma esp&eacute;cie de exposi&ccedil;&atilde;o referencial de todas as fases do seu trabalho, embora sob a forma, simulada, de uma retrospectiva. Porque os quadros n&atilde;o s&atilde;o, nesse sentido, partes de s&eacute;ries anteriores, quadros que ficaram no repouso do atelier, mas antes continua&ccedil;&otilde;es (ou r&eacute;plicas) livres, aleat&oacute;rias, de s&eacute;ries anteriores. Trata-se, portanto, de um falso ind&iacute;cio ou antes, daquilo que se poderia designar como da ordem de uma imagem, neste caso concreto, da imagem de uma exposi&ccedil;&atilde;o ou, mais claramente ainda, da imagem de uma retrospectiva.<br>Este processo de que Alexandre Cabrita se socorre, implica evidentemente a considera&ccedil;&atilde;o de um novo olhar sobre o seu trabalho. Em 2001 escrevi, a prop&oacute;sito deste, que “poder&iacute;amos por agora referi-lo como o daqueles artistas que, na arte contempor&acirc;nea, ou seja nesse &acirc;mbito vasto que historicamente datamos como posterior ao das chamadas últimas vanguardas, colocaram abertamente nas respectivas obras a quest&atilde;o da imagem da arte. Interrogando pois, no interior do campo art&iacute;stico, o modo como se processa a constru&ccedil;&atilde;o de uma imagem como algo que &eacute; pr&eacute;vio à pr&oacute;pria cria&ccedil;&atilde;o, em vez de entenderem num plano puramente conceptual de anterioridade a origem da cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica. <br>Dito de outro modo, todos aqueles que colocaram a imagem no lugar do conceito, nessa nova situa&ccedil;&atilde;o que a arte p&oacute;s-conceptual abriu de retorno à pintura e à possibilidade de integrar a interroga&ccedil;&atilde;o sobre a imagem no campo da pr&aacute;tica pict&oacute;rica bem como da pr&oacute;pria pr&aacute;tica fotogr&aacute;fica.” <br>E essa preocupa&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o apenas indexada mas j&aacute; verific&aacute;vel nos trabalhos dos primeiros anos, reaparece aqui, e mesmo refor&ccedil;ada, desde logo nessa forma de encenar e de dar a ver o trabalho do artista, transformando a pr&oacute;pria forma de o mostrar na imagem de uma coisa que n&atilde;o se limita a ser um conjunto de obras mas se apresenta como uma releitura da sua pr&oacute;pria obra<br>Ora, para um artista que tem feito da imagem o centro de toda a sua obra, esta convers&atilde;o da forma de mostrar ou seja, da pr&oacute;pria exposi&ccedil;&atilde;o das obras, tamb&eacute;m ela numa imagem, &eacute; um refor&ccedil;o, a seu modo surpreendente, do pr&oacute;prio sentido do seu trabalho...<br><b>Bernardo Pinto de Almeida</b> (Fevereiro 2010). <a href="resources/texts/alexandreCabrita.pdf">Descarregar PDF</a></p>', '<img src="resources/images/lawrence.jpg" alt="" />');

